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A Fé prática

Por Ivonaldo Lopes

Paulo escrevendo aos romanos nos diz que a fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Deus. Ele enfatiza a importância de se pregar o evangelho, pois seria por meio da mensagem que as pessoas conheceriam a Cristo Jesus, e passariam a confiar Nele; nisto podemos perceber que a origem da fé na vida de uma pessoa segue esses três processos: verbalizar, ouvir e conhecer.

Já falamos da importância do conhecimento para o desenvolvimento da fé, porém esse conhecimento por si só não é suficiente. Tiago vai dizer que a fé para possuir um efeito concreto e real na vida de uma pessoa precisa passar pela prática: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tiago 1:22).

Colocar a fé em prática é agir em torno do que eu acredito, pois, a fé não é estática e nem teórica, ela é dinâmica e realista. Podemos ver isso presente na vida de Jesus, que estava sempre em movimento no que dizia respeito ao que acreditava. Suas realizações e suas obras eram um reflexo de sua relação íntima com o Pai.

Certa vez quando foi questionado por ter revelado sua identidade, ele respondeu aos seus questionadores: “Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim. Mas se as realizo, mesmo que não creiam em mim, creiam nas obras, para que possam saber e entender que o Pai está em mim, e eu no Pai" (João 10:37,38). Jesus fala da importância de suas realizações e de suas obras para que houvesse por parte dos religiosos uma compreensão de quem Ele era. Ele entendia que a suas verdades e suas crenças precisavam ser evidenciadas através de seu agir.

A fé pratica possuía algumas características importantes:

1°) Ela precisa ser coerente

Tiago diz que quem não pratica o que ouve e acredita, termina enganando a si mesmo, e eu vou mais além, termina enganando também as outras pessoas. Um exemplo de uma fé não prática e completamente incompatível era a fé dos fariseus, pois eles falavam o que não praticavam: “Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam” (Mateus 23:3). Jesus ficava indignado com o descaramento e a hipocrisia desses religiosos, por eles se colocarem como guardiões da lei e dos mandamentos de Deus, e terminavam fazendo disso uma forma de tirar proveito das pessoas, eles se enganavam e enganavam aos outros. "Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente” (Mateus 23:14).

2°) Ela precisa ser realista.

A fé precisa se tornar uma realidade em minha vida: “Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência” (Tiago 1:23,24).

A ideia de se olhar no espelho é o mesmo que está diante da realidade, é o que é real, é quando a palavra é revelada e eu passo a acreditar no que ela diz, porém ela só poderá se tornar uma realidade se eu colocá-la em prática. O que não pratica a sua fé é como alguém que não quer modificar sua realidade, ele contempla, enxerga sua aparência caída e logo sai e esquece o que viu. E assim ele continuará vivendo sob uma falsa realidade. Jesus compara esses a quem constrói a casa sobre a areia, pois assim é todo aquele que ouve suas palavras e não as pratica.

Já aquele que pratica o efeito é completamente diferente: “Assim, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem sábio, que construiu a sua casa sobre a rocha (Mateus 7:24). A prática faz com que a fé se consolide em nossas vidas e isso cria uma resistência nos momentos de adversidade.

3°) A fé pratica é acompanhada pelas obras.

Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2:17,18). Fé e obras são duas coisas inseparáveis, por mais que a salvação seja somente pela fé, as obras estão diretamente ligadas à nossa fé. A abordagem de Tiago aqui não visa travar um debate sobre a salvação, mas suscitar as responsabilidades daqueles que dizem ter fé.

Tiago está afirmando que uma pessoa que diz ter fé, que frequenta uma igreja, que lê a bíblia, que faz suas orações e não pratica as boas obras, a fé dessa pessoa é questionável ou morta, ou seja, essa pessoa de fato nunca teve fé.

Um grande exemplo de alguém que tinha as obras como resultado de sua fé era Dorcas: Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas” (Atos 9:36). Qual é a primeira característica de Dorcas citada nesse texto? Uma discípula. O termo discípula vai caracterizar a sua fé, ela é uma seguidora de Jesus. O que ela faz? Dedicava-se a praticar boas obras. Ela está fazendo alguma coisa incompatível com a função de um discípulo? Incompatível seria se ela não fizesse nada pelos os outros. “...todos reconhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros.” (João 13:35).

A fé prática é quando eu transformo o que acredito em ação, é quando eu não me torno um mero ouvinte da palavra. E como desenvolver uma fé prática?“Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor” (Mateus 10:25).


Perguntas para refletir:


1 - A sua fé tem sido prática?

2 - Há alguma incoerência no que você acredita e no que realiza?

3 - A prática de sua fé tem feito você vive-la na realidade?

4 - Quais boas obras a sua fé têm levado você a realizar?


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